Nádia Almeida, mais conhecida por
“Nuskinha”, uma jogadora “frenética” que nunca desiste de um lance e que
mobiliza toda a equipa para o bem comum.
É assim que te definimos e é
assim que te vemos.
Vieste integrar um grupo de
atletas que estão numa curva ascendente da carreira. Tu, certamente, esperavas
acabar os teus dias na Rede Jovem Mogege. Houve um infortúnio que te obrigou a
reposicionar as tuas expectativas e compromissos futuros. Transformaste a curva
da tua carreira numa nova curva ascendente e motivadora.
E neste iato surgimos nós, Santa
Luzia.
Conforme nos disse o mister
Sérgio Carvalho:
“A Nuskinha era inegociável e
manifestou sempre a vontade de acabar a sua carreira desportiva na casa que a
ajudou a crescer. Quis o destino que assim não fosse.
Há um misto de sentimentos. A
tristeza de vermos um projecto de topo a terminar; a satisfação de podermos
trabalhar juntos.
A Nuskinha tem uma grande
maturidade competitiva e vem acrescentar essa componente à nossa equipa. Tem
uma dinâmica de jogo muito completa, quer a nível defensivo quer a nível
ofensivo. É uma jogadora de eleição com quem eu terei muito prazer em trabalhar.”
A tua atitude competitiva
cativou-nos.
Tu estás, felizmente, recuperada
de uma lesão que te afastou dos últimos jogos da competição. Vens com muita vontade de voltar a
jogar e de mostrar que o teu valor está intacto.
Integras um grupo de jogadoras
jovens, mas com muito trabalho realizado no último ano.
Podes adiantar-nos quais foram os motivos que te levaram a mudar de
ideias, e em vez de abandonares a modalidade, aceitares integrar o nosso
projecto?
Não vou esconder que o que
aconteceu com a “minha equipa”, a Associação Rede Jovem Mogege, me fez repensar
o meu futuro no futsal até porque queria mais que ninguém que o projeto
continuasse e desse frutos num futuro próximo. Quis o destino que assim não
fosse e recebi a proposta do Santa Luzia com algumas reticências… Queria
continuar a jogar com as minhas colegas e isso foi um aspeto determinante na
minha decisão. As condições que me foram apresentadas foram fantásticas e foi
possível conjugar tudo para que eu ingressasse num clube que tem apostado forte
e bem na continuidade do futsal femininno.
Espero poder retribuir tudo o que
esperam de mim e ajudar o Santa Luzia a crescer e se possível ganhar títulos
com as minhas novas cores. Estou ansiosa por começar porque estive muito tempo
parada, mas sinto-me preparada para mais um desafio e espero que juntos
consigamos fazer algo bonito este ano.
O teu jogo é um jogo muito bem estruturado. Achamos que tens no teu
aspecto defensivo a tua maior arma. Concordas? Como te defines como jogadora?
Quando comecei a jogar futsal,
fui preparada pelo meu treinador Bruno Azevedo para conseguir jogar em todas as
posições. Ele conseguiu ensinar-me todos os aspetos ofensivos e defensivos que
eram necessários para tal. Não sou uma jogadora de fortes desequilíbrios
ofensivos e por isso sinto-me melhor a jogar numa posição mais recuada e a
partir daí criar espaços com passes de rotura ou mesmo em tabelas simples com
as jogadoras mais ofensivas da equipa. Talvez por ser baixinha tenha mais
facilidades em roubar bolas mais difíceis e conseguir iludir as adversárias
quando estas têm que decidir para que lado “me vão fugir”. Sou uma privilegiada
por ter tido treinadores que me incutiram o facto de ter que saber trabalhar
bem com os dois pés e sei que isso também é um aspeto muito importante e que me
favorece dentro da quadra. Adoro jogar bom futsal e sei que posso fazê-lo com
as minhas colegas de equipa, para se possível conseguir por em prático o que de
melhor sei fazer.
O Santa Luzia reforçou o seu plantel, acrescentando maturidade à
qualidade emergente do nosso plantel. Tu trazes essa maturidade e experiência. Como
pensas tu contribuir para a melhoria do jogo da equipa?
Não sou assim tão experiente a
nível futsalístico… Jogo há 8 anos, mas joguei vários anos futebol de 11 e tive
a felicidade de ir ganhando experiência em todos os campeonatos que joguei.
Encontrei na minha “carreira” grandes jogadoras que me ajudaram a crescer e a
ganhar maturidade neste desporto. Quero com isto dizer que espero poder fazer
com as minhas novas colegas mais novas o que outras jogadoras fizeram por mim.
Vou aprender também com elas e espero poder passar-lhes algo que elas possam
usar no presente e no futuro como jogadoras e também como mulheres.
Estamos aqui a pensar para os nossos botões: com tantos anos de futsal
nas pernas, o que levará a Nuskinha a traçar como metas num futuro próximo? De
onde lhe sai a motivação que faz dela uma jogadora de referência?
Apesar de jogar há alguns anos,
infelizmente não são muitos os troféus que ganhei… não escondo que quero um dia
ser campeã nacional ou ganhar a Taça de Portugal. Espero que ainda vá a tempo
de alcançar um destes objetivos e se possível neste clube.
E por conseguinte, diz-nos tu que objectivos definiste para a tua
estada no Santa Luzia?
Até onde achas que podemos ir esta época?
Espero que longe. Sei que temos
uma equipa bastante equilibrada, o que é muito importante, com atletas
experientes e jovens jogadoras com sede de ganhar. Acho que o objetivo inicial
é tentar passar a primeira fase e depois ir jogo a jogo. Na Taça de Portugal é
chegar o mais longe possível e tentar a final four. Se tudo correr bem e não
houver contratempos, vamos longe.
O Santa Luzia tem uma ambição de deixar a sua marca no futsal português
e, muito pronunciadamente, no futsal de Viana do Castelo. Podes dizer-nos como
era visto por fora o Santa Luzia?
Joguei poucas vezes contra o
Santa Luzia, mas das vezes que joguei deu para ver que é uma equipa bastante
organizada e com um apoio dentro e fora da quadra que impressiona. Os adeptos
são assíduos e puxam muito pela equipa. Cresceram muito de há dois anos para cá
e espero que assim continue.
Quais, no teu entendimento, foram os pontos fortes da nossa equipa na
época que terminou?
A nível do jogo acho que a
combinação da experiência das atletas mais antigas com as mais jovens que
demonstraram grande qualidade foi um aspeto que o mister Sérgio conseguiu
trabalhar muito bem. A nível “externo”, a organização do clube foi fundamental
para chegarem onde estão hoje.
O campeonato nacional estará diferente na próxima época. Subiram novas
equipas, com novas ambições e com novas jogadoras cheias de motivação para
“mostrar serviço”.
Como analisas tu o actual estado do futsal feminino quanto ao nível e
quantidade de praticantes da modalidade?
Como disse anteriormente, joguei
vários anos futebol de 11 e o campeonato era muito pouco competitivo. Poucas
equipas, poucas praticantes e pouca motivação pela falta de apoios que havia.
Quando mudei para o futsal vi que as coisas eram diferentes… muitas equipas,
muita competitividade e muita qualidade nas praticantes. O futsal feminino
evoluiu bastante e continua a evoluir, as equipas reforçam-se sempre muito bem
e isso é um aspeto determinante para que a qualidade aumente em todos os
aspetos.
Tu foste uma jogadora que vieste do futebol há muitos anos atrás, tendo
inclusivé representado a nossa selecção nacional sub-19.
Hoje já há, na nossa opinião, um modelo de jogadora de futsal,
resultante do trabalho (pouco) de formação que se faz pelo país. Concordas?
Sim, sem dúvida. “Na minha
altura” não existia formação no feminino, as atletas começavam aos 14 anos como
seniores e isso não ajudava a que evoluíssem corretamente. Todas precisamos do
nosso tempo para assimilar conceitos e ganhar maturidade desportiva e isso era
impossível, lançavam-se as miúdas sem bases para o meio de jogadoras já
formadas e experientes.
Hoje em dia, e felizmente, já
existe formação (mesmo sendo pouca) e na minha modesta opinião, penso que a
peça chave para que a qualidade aumente e melhore de ano para ano.
Relativamente à competitividade do campeonato nacional, como perspectivas
que será o nível da próxima edição?
Penso que será igual ou melhor do
que no ano transato. A época passada foi de experimentação e ainda assim
conseguimos mostrar a muita gente que há imensa qualidade e competitividade no
futsal feminino. Este ano, com mais experiência de todas as equipas, penso que
será ainda melhor, pelo menos é o que espero. É fantástico chegar ao final da
época e sentir-se que conseguimos proporcionar grandes espetáculos aos adeptos
que tiraram um bocadinho do tempo deles para nos irem ver e ajudar a fazer
crescer também o futsal feminino.
E, por último e não menos importante, quais são as tuas expectativas
relativamente ao desempenho da nossa equipa – Santa Luzia – no próximo
campeonato?
As melhores!! Estou motivada e
cheia de vontade que comece o campeonato para podermos mostrar a quem ainda “desconfia”
de nós que seremos uma equipa forte e a ter em conta. Tentar vencer um jogo de
cada vez e chegar o mais longe possível na taça e no campeonato.